terça-feira, 15 de abril de 2014

Notas para pensar o cinema amador no Brasil: o "cinema de bordas"

Este trabalho discute o conceito de cinema periférico de bordas (LYRA, 2009) em diálogo com outros conceitos como o de cinema amador (ISHIZUKA; ZIMMERMANN, 2008; SHAND, 2008 e outros) e filme doméstico ou de família (ODIN, 2003; CRAVEN, 2009; NOGUEIRA, 2002 e outros). O objetivo dessa discussão é pensar possibilidades diversas de mapeamento das produções audiovisuais brasileiras não-institucionalizadas, de forma a contribuir para a constituição de uma história mais abrangente do audiovisual nacional.

Leia aqui

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Atualização de fim de ano: FILME CULTURA

Muitas coisas boas aconteceram para o cinema de horror brasileiro em 2013, mas foi impossível atualizar o blog ao longo do ano. Por sorte, a encomenda da Revista Filme Cultura me permitiu fazer uma retrospectiva do ano.

Como o texto foi entregue no primeiro semestre, o editor da FC, Carlos Alberto Rocha Mattos, aceitou publicar no site uma notinha de atualização.




É minha contribuição para o tema este ano. Espero ter mais tempo em 2014 para manter este blog atualizado.

Boas festas a todos!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Notas para pensar a onda dos filmes espíritas no Brasil

Neste começo da segunda década do século XXI, o Brasil, país tido como a maior nação espírita do planeta, tem testemunhado uma onda de longas-metragens com temática espírita que movimenta grandes orçamentos e bilheterias, provocando interesse e debates entre os fiéis, os críticos de cinema e os observadores culturais. No entanto, na maior parte das discussões nos meios de comunicação, parece haver certa pressa em diagnosticar o fenômeno como novidade, sem levar em conta a trajetória e mesmo uma possível tradição de filmes espíritas brasileiros — a partir da qual, parece-nos, o ciclo atual pode ser examinado. Nesse sentido, o presente artigo tem a intenção de discutir a possibilidade de falar-se de uma tradição de filmes espíritas brasileiros e, a partir dela, propõe alguns pressupostos de análise para os novos filmes que têm surgido a cada ano.

Link para o artigo completo publicado na Revista Rumores.

terça-feira, 12 de março de 2013

Até sexta, no Rio, Noites com vampiros, na Caixa Cultural


A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 12 a 15 de março, o seminário “Noites com Vampiros: representações e estéticas do sangue”, com o objetivo de pensar e discutir a figura do vampiro nos produtos culturais de massa. O projeto tem o patrocínio da Caixa Econômica Federal e do Governo Federal.
 
Em quatro encontros, pesquisadores e professores das mais diferentes áreas do conhecimento, debaterão a persistência, a insistência e a pluralidade da figura do vampiro no imaginário ocidental. Partindo da literatura, do cinema e da televisão, os debates pretendem produzir conteúdo crítico acerca das relações estabelecidas por essa emblemática figura.
 
A proposta do encontro também é pensar como e por que o vampiro resiste, prolifera-se e adquire visibilidade; o que há de específico e universal nessa criatura; o que nos move e nos seduz, atrai e afasta; por quais linhas de subjetivação as construções estéticas do vampiro transitam.
 
Ao privilegiar o vampiro como objeto de análise cultural, o seminário levanta questões sobre as relações ocidentais com o medo, a finitude, a ciência, a medicina e o sobrenatural; questões que compõem nosso campo imaginário contemporâneo.
 
Programação:
12/03 – terça-feira
18h30 - O Perigo no Escuro: terror, horror e estética.
Debatedores: Mariana Balthar, Laura Cánepa e Pedro Curi
13/03 – quarta-feira
18h30 – Para onde eu olho há um vampiro: a onipresença do vampiro no imaginário.
Debatedores: Luiz Nazario, Alexander Meireles da Silva e Karl Erick Schøllhammer
 
14/03 – quinta-feira
18h30 – O Pescoço e o Resto: reflexos ausentes e alteridade dos corpos.
Debatedores: Ieda Tucherman, Erick Felinto e Diego Paleólogo
 
15/03 – sexta-feira
18h30 – Letra e Sangue: o vampiro literário e a literatura vampiresca.
Debatedores: Braulio Tavares, Júlio França e Julio Cesar Jeha
 
Ficha técnica:
Realização: Provisório Permanente Produções Culturais
Coordenação geral: Valterlei Borges
Curadoria: Diego Paleólogo
Produção: Carolina Azevedo e Gilberto Vieira
Assistência de produção: Andressa Lacerda, Leliane de Castro Pires e Letícia Freitas
Gestão de Redes Sociais e Mídias Digitais: Fernanda Lima
Identidade visual: Ana Paula Binder e Fred Martins
Registro fotográfico: Leandro Baptista
Colaboração: Leandro de Paula e Walerie Gondim
Apoio: ECO/UFRJ e PPGCA/UFF
Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal
 
Serviço:
Seminário: “Noites com vampiros: representações e estéticas do sangue”
Data: de 12 a 15 de março de 2013 (de terça-feira a sexta-feira)
Horário: 18h30
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 2
Endereço: Avenida Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefones: (21) 3980-3815
Lotação: 80 lugares (mais 3 para cadeirantes)
Entrada Franca
Classificação etária: Livre
Acesso para pessoas com deficiência

Mais um filme saindo do forno...



Rodrigo Aragão finaliza trilogia de terror com Mar negro
Rodrigo Fonseca - O GLOBO - 13/03/2013

RIO - Espécie de Godzilla versão capixaba, um monstro marinho apelidado de Baiacu-Sereia anda espalhando pânico por uma aldeia de pescadores do litoral do Espírito Santo chamada Perocão. Pior que ele, só o Zumbi-Caranguejo, devorador de homens. Lá, em meio a mortos-vivos e peixes canibais, um pequeno núcleo de produção de longas-metragens, quase artesanal, hoje empenhado em finalizar o thriller de horror “Mar negro”, tem atraído a atenção do cinema internacional. Até revistas especializadas de Hollywood já citaram o sucesso que os filmes do diretor Rodrigo Aragão fazem entre fãs do terror pelo mundo afora.

O cineasta, nascido em Guarapari há 36 anos, rodou mais de 30 festivais internacionais com seus dois longas, “Mangue negro” (2008) e “A noite do Chupacabras” (2011). Feitos sem incentivos fiscais, com uma verba que nunca ultrapassa R$ 200 mil, e sem atores conhecidos, ambos foram vendidos para EUA, Holanda, Bélgica, Alemanha e Japão. Mas, no Brasil...

— Aqui, o mercado não me dá espaço. Corri atrás de 20 distribuidoras, oferecendo meus filmes, topando até que fossem direto para DVD. Mas o preconceito contra quem faz cinema de gênero, sobretudo o terror, é grande. Faço filmes baratos, sem edital, e tenho reconhecimento no exterior. Mas as vias oficiais não me abrem portas — lamenta o cineasta, que vem se tornando a figura mais expressiva de um estado com pouca visibilidade no cinema nacional.

Fora dirigir, Aragão ganha a vida como técnico de efeitos especiais. Daí tira seu sustento e a segurança para investir em projetos como “Mar negro”. Ataque à poluição, o longa terminou de ser rodado na semana passada e, ainda neste ano, deve ficar pronto para ser exportado. Na trama, uma mancha negra alastra-se pelas águas do Perocão, infectando humanos e animais. Daí o surgimento de seres como o Zumbi-Arraia e o Baiacu-Sereia, vigiados por um feiticeiro, o Velho do Saco (Cristian Verardi).

— É uma crítica minha ao oba-oba do petróleo sem consciência ambiental. No fundo, “Mar negro” e meus dois outros filmes compõem uma trilogia de horror sobre o desrespeito à ecologia de uma região como o Perocão e seus arredores, que abrangem praia, mangue e montanhas. Estou tentando criar um universo aqui — diz Aragão, que filma graças ao suporte financeiro do empresário mineiro Hermann Pidner, do ramo de produção de cal.

Fã de terror, ele viabiliza o orçamento de Aragão, que se complementa num esquema de colaboração sem ônus.

— Pidner virou produtor, consciente de que é possível fazer cinema autossustentável no Brasil, pois nossos filmes podem se rentabilizar com as vendas internacionais. E a gente filma com pouco porque atraímos muita gente que é fã e topa fazer o filme por amor. Ofereço abrigo, comida e momentos inesquecíveis. Isso só é possível porque o terror mobiliza paixões.

Em “Mar negro”, haverá ainda um monstro capaz de fazer frente a Moby Dick, mas que Aragão mantém em sigilo, confiando a salvação do Espírito Santo a Albino, herói vivido por seu ator-fetiche, Walderrama dos Santos, que viveu o Luís da Machadinha de “Mangue negro”.

— Cresci vendo filmes de Sam Raimi e Peter Jackson e, por isso, sempre sonhei com a possibilidade de o Brasil ter em seu cinema heróis capazes de enfrentar monstros. É questão de credibilidade, coisa que os EUA conseguiram com filmes onde ETs explodem coisas e criaturas assustam espectadores. E, da mesma forma como Peter Jackson retratou a beleza da Nova Zelândia a partir de um olhar fantástico, tento fazer o mesmo pelo Espírito Santo — afirma o diretor, filho do mágico Osório Aragão, dono do extinto Cine Eldorado, em Guarapari.

Aragão conta que seu pai chegava a fazer projeções na rua para atrair público, o que alimentou seu interesse por gêneros de maior apelo popular, sobretudo o terror.

— Embora seja fã de “Tubarão”, um marco realista, persigo na forma a mistura de terror e humor que Sam Raimi segue, por isso filmo usando as ferramentas e as tecnologias dos anos 1980, com o mínimo de efeitos digitais. Prefiro usar marionetes e espuma de látex para criar meus monstros — explica.

Por ter crescido rodeado pelo ofício lúdico de seu pai, a imaginação de Aragão perdeu barreiras, para a preocupação de sua mãe, Dalva.

— Hoje, ela encara meus filmes numa boa. Mas, quando eu tinha uns 13 anos e pedi o estojo de maquiagem dela emprestado, ela ficou encucada, toda desconfiada. Não podia imaginar que eu queria a maquiagem para criar um ferimento falso numa brincadeira — diz o diretor, que viu seu “Mangue negro” ser aclamado em festivais como o Sci-Fi London, na Inglaterra, e o Buenos Aires Rojo Sangre, na Argentina.

Seu “A noite do Chupacabras” chegou a ser sensação no Yubari International Fantastic Film Festival, no Japão, onde revistas estrangeiras como a francesa “Mad Movies” (a bíblia europeia do filão) classificaram Aragão como “um expoente do medo”.

— Mais do que admirar José Mojica Marins, criador do Zé do Caixão, me identifico com ele por esse lado de vender filmes de terror brasileiro no exterior e pela dificuldade de driblar o preconceito no meu país. Há fãs de terror no mundo inteiro. Então, o que eu fizer, se for bem feito, vai ser visto lá fora. Mas é chato não ser lançado aqui. Não é bonito ser maldito.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Horror brasileiro em alta?

Copio aqui matéria de hoje da Folha de São Paulo, pois parte dela está fechada somente para assinantes.

Tem algumas coisas meio ultrapassadas no texto, como a afirmação de que o gênero até hoje teria sido restrito ao Zé do Caixão. E também me parece escandalosa a ausência de menção ao trabalho do Rodrigo Aragão. Mas, enfim, aí vai pra quem não leu no site.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Espetáculos do medo: o horror como atração no cinema japonês



Artigo escrito em parceria com Rogério Ferraraz para a Revista Contracampo, da UFF.

Resumo: Dentro da variada gama de filmes vindos da Ásia oriental, uma das mais influentes contribuições é a do cinema de horror desenvolvido no Japão a partir da segunda metade dos anos 1990, cuja inserção internacional fez com que, no Ocidente, fosse criado um “selo” para designá-lo: o “J-Horror”. Porém, o alcance dessa produção vai muito além de um simples selo ou abreviatura. Este artigo pretende traçar algumas reflexões sobre o horror cinematográfico contemporâneo a partir da experiência japonesa, colocando em destaque o caráter espetacular e de atração do gênero, notório nessa produção enraizada em tradições teatrais. Como objeto específico para a discussão, o texto se concentra em um subgênero tradicional do horror japonês, o do “espírito vingativo” (onryou), que deu origem ao mais famoso exemplar do J-horror no Ocidente: Ringu – O Chamado (Ringu, Hideo Nakata, 1998).

Leia o texto completo aqui.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Só pra não dizer que não falei...



Tudo está muito corrido, mesmo durante as férias, mas seguem aqui dois textos sobre horror brasileiro que publiquei na revista eletrônica Interlúdio.

Breves notas sobre o horror brasileiro - Sobre o horror nos filmes brasileiros dos últimos dez anos

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Horror brasileiro na revista A Janela

A excelente revista eletrônica goiana A Janela acaba de lançar seu novo número com várias matérias especiais que interessam muito a quem procura informações sobre o horror no cinema brasileiro.

Uma delas é uma entrevista com José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Tem também o artigo de Márcio Jr, organizador do festival Trash Goiânia, sobre o cinema trash, e um debate em vídeo bem bacana entre Petter Baiestorff e Rodrigo Assis, sobre o mesmo tema.

E tem ainda meu texto sobre o horror no cinema brasileiro, entre várias outras matérias legais, sobre diversos temas.

Leitura recomendadíssima!

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A mulher que inventou o amor


Passou no Canal Brasil esta semana. Mais um filme que não é de horror, mas termina como um.

Também mais um filme de vingança feminina, tema muito frequente nos filmes da Boca do Lixo na virada dos anos 1970 para os 1980 (escrevi sobre isso num texto que precisa de atualização urgente).

E, principalmente, um exemplo do talento do Jean Garrett como diretor, do Carlão Reichembach como fotógrafo, do João Silvério Trevisan como roteirista e da Aldine Müller como atriz.

Texto de Inácio Araújo, para a Folha:

"Há algo de buñuelesco em A MULHER QUE INVENTOU O AMOR que talvez tenha origem mais no roteirista João Silvério Trevisan do que no diretor Jean Garrett.

O que faz Garrett, no entanto, um diretor que ainda merece ser estudado detidamente é, em parte, a capacidade de receber e agregar boas influências. Eis o que ajuda a fazer deste um filme singular. Mas não só.

Na história - que começa, uma mulher elevada à condição de "rainha do gemido", depois envolvida com um ator, antes de evoluir para um tom tétrico mais próximo até de certos filmes de Erich von Stroheim -, conviveremos com o gosto de uma ambientação forte, beirando o fantástico, tão a gosto do cineasta paulista."

Ficha técnica completa de A MULHER QUE INVENTOU O AMOR.

Leia mais:
Crítica de Andrea Ormond
Crítica de Matheus Trunk