quinta-feira, 5 de junho de 2014

Câmera intra-diegética e maneirismo em obras de George A. Romero e Brian De Palma

 
 
Trabalho feito em parceria com o colega Rodrigo Carreiro, e apresentado no Encontro da Compós em 2014, no GT de Cinema.
 
 
Resumo: Em 2007, George A. Romero e Brian De Palma realizaram experimentos de ficção com o uso do recurso ao qual chamaremos neste artigo de câmera intra-diegética, que consiste na construção de narrativas audiovisuais através de registros feitos pelos personagens ou por dispositivos pertencentes ao universo ficcional. Os longas Diário dos mortose Guerra sem cortes, de Romero e De Palma, converteram-se em marcos para o cinema de ficção construído a partir desse recurso, justamente no ano em que aumentou massivamente a quantidade de filmes adotarem a câmera intra-diegética, originando um filão de cinema de aventura e horror que ficaria conhecido como found footagepor usar, na maioria das vezes, a premissa do "registro encontrado" para justificar a incorporação dos equipamentos de captação à narrativa. Neste artigo, sugerimos observar esse recurso como uma abordagem maneirista na ficção contemporânea, que tem, nas obras de Romero e De Palma, exemplos fundamentais.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Condado Macabro




Os filmes novos não param de chegar, e está difícil de acompanhar tudo. Confiram o site de Condado Macabro!

Em breve voltarei com mais informações!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Gata Velha Ainda Mia

O chamado "hag horror film", ou filme de bruxa (termo aqui entendido como adjetivo, e não substantivo), foi moda em Hollywood nos anos 1960, quando divas do período clássico já envelhecidas, como Bette Davis, Joan Crawford e Olivia de Havilland estrelaram filmes como "O que terá acontecido a Baby Jane" (Robert Aldrich, 1962) e "A dama enjaulada" (Walter Grauman, 1966).

Nessas produções, as atrizes encontravam trabalhos remotamente inspirados em dramas dos 1950 que tinham por referência filmes como "Crepúsculo dos Deuses" (Billy Wilder, 1950), no qual a estrela decadente Gloria Swanson, do alto de seus 51 anos, brilhava no papel da louca inesquecível Norma Desmond.

Em 2009, Peter Shelley, no livro "Grande Dame Guignol", compilou dezenas desses títulos realizados desde os anos 1960, começando por "Baby Jane" e chegando até filmes como "Louca Obsessão" (Rob Reiner, 1990) e "Mamãe é de morte" (John Waters, 1996). Por meio dessas obras, o autor propôs uma reflexão sobre o horror feminino no cinema, desde as vamps dos anos 1920 até as mulheres frustradas e velhas que dispensam suas últimas energias ao objetivo nada nobre de atormentar alguém - de preferência, outra mulher.

As questões referentes à clasisficação de gênero cinematográfico são obviamente problemáticas no caso do hag horror, mas ainda assim interesantes, e isso fica claro no longa de estreia de Rafael Primot, "Gata velha ainda mia" (2013), estrelado pela diva nacional Regina Duarte, hoje com 67 anos. Nessa produção pequena apoiada pelo Canal Brasil (custou cerca de 150 mil reais), o horror se anuncia, mas não é levado às últimas consequências.

(...) 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Celulares, de Jefferson De


 
Veja aqui o link para a matéria sobre o longa CELULARES, o novo filme de bruxaria
de Jefferson De, filmado em São Paulo e Santa Catarina.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Quando eu era vivo, de Marco Dutra



O público brasileiro já se acostumou a sentir arrepios – de admiração ou não – ao ouvir a voz da cantora Sandy Leah, desde os anos 1980. Arrepios de saudade ou vergonha também podem nos surpreender quando encontramos um boneco do Fofão, um compacto de Elizângela, alguma tapeçaria horrorosa emoldurada ou velhos registros familiares em VHS.

Exceto, porém, no caso de Sandy, que se consagrou como cantora pop, aqueles bonecos, discos, tapeçarias e vídeos tiveram que se contentar em sobreviver, esquecidos, nos velhos quartinhos da bagunça de muitos apartamentos.

Finalmente, em 2014, o novo filme de Marco Dutra, Quando Eu Era Vivo, nos deu um novo motivo para sentir arrepios diante da voz de Sandy e dessas lembranças ambíguas dos anos 1980 acumuladas em quartos de empregada (até que enfim!) desativados: o terror.
Leia na íntegra aqui o texto publicado na Revista Interlúdio

Outros links:
Assista ao trailer
Texto de Cid Nader
Texto de Fernando Oriente
Texto da Interlúdio sobre TRABALHAR CANSA, O SOM AO REDOR e OS INQUILINOS


terça-feira, 15 de abril de 2014

Para pensar o vídeo amador de ficção no Brasil: o "cinema de bordas"

Este trabalho discute o conceito de cinema periférico de bordas (LYRA, 2009) em diálogo com outros conceitos como o de cinema amador (ISHIZUKA; ZIMMERMANN, 2008; SHAND, 2008 e outros) e filme doméstico ou de família (ODIN, 2003; CRAVEN, 2009; NOGUEIRA, 2002 e outros). O objetivo dessa discussão é pensar possibilidades diversas de mapeamento das produções audiovisuais brasileiras não-institucionalizadas, de forma a contribuir para a constituição de uma história mais abrangente do audiovisual nacional.

Leia aqui

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Atualização de fim de ano: FILME CULTURA

Muitas coisas boas aconteceram para o cinema de horror brasileiro em 2013, mas foi impossível atualizar o blog ao longo do ano. Por sorte, a encomenda da Revista Filme Cultura me permitiu fazer uma retrospectiva do ano.

Como o texto foi entregue no primeiro semestre, o editor da FC, Carlos Alberto Rocha Mattos, aceitou publicar no site uma notinha de atualização.




É minha contribuição para o tema este ano. Espero ter mais tempo em 2014 para manter este blog atualizado.

Boas festas a todos!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Mais um filme saindo do forno

Rodrigo Aragão finaliza trilogia de terror com Mar negro
Rodrigo Fonseca - O GLOBO - 13/03/2013

RIO - Espécie de Godzilla versão capixaba, um monstro marinho apelidado de Baiacu-Sereia anda espalhando pânico por uma aldeia de pescadores do litoral do Espírito Santo chamada Perocão. Pior que ele, só o Zumbi-Caranguejo, devorador de homens. Lá, em meio a mortos-vivos e peixes canibais, um pequeno núcleo de produção de longas-metragens, quase artesanal, hoje empenhado em finalizar o thriller de horror “Mar negro”, tem atraído a atenção do cinema internacional. Até revistas especializadas de Hollywood já citaram o sucesso que os filmes do diretor Rodrigo Aragão fazem entre fãs do terror pelo mundo afora.

O cineasta, nascido em Guarapari há 36 anos, rodou mais de 30 festivais internacionais com seus dois longas, “Mangue negro” (2008) e “A noite do Chupacabras” (2011). Feitos sem incentivos fiscais, com uma verba que nunca ultrapassa R$ 200 mil, e sem atores conhecidos, ambos foram vendidos para EUA, Holanda, Bélgica, Alemanha e Japão. Mas, no Brasil...

— Aqui, o mercado não me dá espaço. Corri atrás de 20 distribuidoras, oferecendo meus filmes, topando até que fossem direto para DVD. Mas o preconceito contra quem faz cinema de gênero, sobretudo o terror, é grande. Faço filmes baratos, sem edital, e tenho reconhecimento no exterior. Mas as vias oficiais não me abrem portas — lamenta o cineasta, que vem se tornando a figura mais expressiva de um estado com pouca visibilidade no cinema nacional.

Fora dirigir, Aragão ganha a vida como técnico de efeitos especiais. Daí tira seu sustento e a segurança para investir em projetos como “Mar negro”. Ataque à poluição, o longa terminou de ser rodado na semana passada e, ainda neste ano, deve ficar pronto para ser exportado. Na trama, uma mancha negra alastra-se pelas águas do Perocão, infectando humanos e animais. Daí o surgimento de seres como o Zumbi-Arraia e o Baiacu-Sereia, vigiados por um feiticeiro, o Velho do Saco (Cristian Verardi).

— É uma crítica minha ao oba-oba do petróleo sem consciência ambiental. No fundo, “Mar negro” e meus dois outros filmes compõem uma trilogia de horror sobre o desrespeito à ecologia de uma região como o Perocão e seus arredores, que abrangem praia, mangue e montanhas. Estou tentando criar um universo aqui — diz Aragão, que filma graças ao suporte financeiro do empresário mineiro Hermann Pidner, do ramo de produção de cal.

Fã de terror, ele viabiliza o orçamento de Aragão, que se complementa num esquema de colaboração sem ônus.

— Pidner virou produtor, consciente de que é possível fazer cinema autossustentável no Brasil, pois nossos filmes podem se rentabilizar com as vendas internacionais. E a gente filma com pouco porque atraímos muita gente que é fã e topa fazer o filme por amor. Ofereço abrigo, comida e momentos inesquecíveis. Isso só é possível porque o terror mobiliza paixões.

Em “Mar negro”, haverá ainda um monstro capaz de fazer frente a Moby Dick, mas que Aragão mantém em sigilo, confiando a salvação do Espírito Santo a Albino, herói vivido por seu ator-fetiche, Walderrama dos Santos, que viveu o Luís da Machadinha de “Mangue negro”.

— Cresci vendo filmes de Sam Raimi e Peter Jackson e, por isso, sempre sonhei com a possibilidade de o Brasil ter em seu cinema heróis capazes de enfrentar monstros. É questão de credibilidade, coisa que os EUA conseguiram com filmes onde ETs explodem coisas e criaturas assustam espectadores. E, da mesma forma como Peter Jackson retratou a beleza da Nova Zelândia a partir de um olhar fantástico, tento fazer o mesmo pelo Espírito Santo — afirma o diretor, filho do mágico Osório Aragão, dono do extinto Cine Eldorado, em Guarapari.

Aragão conta que seu pai chegava a fazer projeções na rua para atrair público, o que alimentou seu interesse por gêneros de maior apelo popular, sobretudo o terror.

— Embora seja fã de “Tubarão”, um marco realista, persigo na forma a mistura de terror e humor que Sam Raimi segue, por isso filmo usando as ferramentas e as tecnologias dos anos 1980, com o mínimo de efeitos digitais. Prefiro usar marionetes e espuma de látex para criar meus monstros — explica.

Por ter crescido rodeado pelo ofício lúdico de seu pai, a imaginação de Aragão perdeu barreiras, para a preocupação de sua mãe, Dalva.

— Hoje, ela encara meus filmes numa boa. Mas, quando eu tinha uns 13 anos e pedi o estojo de maquiagem dela emprestado, ela ficou encucada, toda desconfiada. Não podia imaginar que eu queria a maquiagem para criar um ferimento falso numa brincadeira — diz o diretor, que viu seu “Mangue negro” ser aclamado em festivais como o Sci-Fi London, na Inglaterra, e o Buenos Aires Rojo Sangre, na Argentina.

Seu “A noite do Chupacabras” chegou a ser sensação no Yubari International Fantastic Film Festival, no Japão, onde revistas estrangeiras como a francesa “Mad Movies” (a bíblia europeia do filão) classificaram Aragão como “um expoente do medo”.

— Mais do que admirar José Mojica Marins, criador do Zé do Caixão, me identifico com ele por esse lado de vender filmes de terror brasileiro no exterior e pela dificuldade de driblar o preconceito no meu país. Há fãs de terror no mundo inteiro. Então, o que eu fizer, se for bem feito, vai ser visto lá fora. Mas é chato não ser lançado aqui. Não é bonito ser maldito.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Notas para pensar a onda dos filmes espíritas no Brasil

Neste começo da segunda década do século XXI, o Brasil, país tido como a maior nação espírita do planeta, tem testemunhado uma onda de longas-metragens com temática espírita que movimenta grandes orçamentos e bilheterias, provocando interesse e debates entre os fiéis, os críticos de cinema e os observadores culturais. No entanto, na maior parte das discussões nos meios de comunicação, parece haver certa pressa em diagnosticar o fenômeno como novidade, sem levar em conta a trajetória e mesmo uma possível tradição de filmes espíritas brasileiros — a partir da qual, parece-nos, o ciclo atual pode ser examinado. Nesse sentido, o presente artigo tem a intenção de discutir a possibilidade de falar-se de uma tradição de filmes espíritas brasileiros e, a partir dela, propõe alguns pressupostos de análise para os novos filmes que têm surgido a cada ano.

Link para o artigo completo publicado na Revista Rumores.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Horror brasileiro em alta?

Copio aqui matéria de hoje da Folha de São Paulo, pois parte dela está fechada somente para assinantes.

Tem algumas coisas meio ultrapassadas no texto, como a afirmação de que o gênero até hoje teria sido restrito ao Zé do Caixão. E também me parece escandalosa a ausência de menção ao trabalho do Rodrigo Aragão. Mas, enfim, aí vai pra quem não leu no site.