sábado, 17 de abril de 2010

Cada besteira que a gente lê...

Matéria publicada no UOL em 16/04/2010: Leia no original

Filmes de terror podem sabotar sua vida social

Antes de levar seu novo namorado – ou namorada – ao cinema, pense bem no filme que irá escolher. Um filme de terror, por exemplo, pode mudar completamente o humor de ambos.

Um estudo feito pela equipe de James Weaver, da Universidade Virginia Tech, observou as implicações sociais de se assistir a um filme de horror. O que os pesquisadores sugerem é que as reações de casais de namorados podem ser vistas como pontos negativos ou positivos pelo parceiro e essa avaliação pode transcender uma simples sessão de cinema.

No caso dos homens, reações de medo e aflição por parte da parceira podem levá-los a se sentir mais protetores e, impressionantemente, a atração pela sua companheira pode ser maior. Ao contrário, responder às cenas com descaso pode contar pontos negativos.

Os pesquisadores apontam ainda que, de acordo com os resultados da pesquisa, a maioria das acompanhantes costuma ir a favor da corrente e dificilmente deixa transparecer o descaso, pois, de certa forma, aceita o jogo de impressões proposto pelos namorados ou acompanhantes. Os dados coletados por Weaver também indicam que os filmes de horror/terror são muito mais apreciados pelo público masculino que pelo feminino, mas que esse último aceita as condições de presenciar uma projeção de algo que não lhes dá muito prazer como forma de fortalecer os laços de uma relação.

Mas e o inverso? Como os homens devem se portar? Basicamente, dizem os pesquisadores, caso o parceiro também demonstre aversão às cenas mais chocantes, as mulheres tendem a se sentir cada vez piores durante a sessão. E ele se torna, aos olhos da companheira, menos desejável como parceiro.

Responder corajosamente às cenas de um filme de terror pode contribuir para que ele seja visto como forte e protetor (o que na grande maioria das vezes é bastante eficaz para confortar a parceira). O parceiro é visto como mais atraente e diversos traços positivos de sua personalidade serão exagerados pela parceira durante as horas posteriores ao filme, pois isso é – de acordo com pesquisas – uma resposta evolutiva das fêmeas frente aos machos, ou seja, quanto maior a proteção, maior a capacidade de proteger a ‘prole’ e portanto mais desejável.

“Bancar o ‘macho’ enquanto se assiste a filmes de horror ou terror parece ter uma influência sobre a imagem que a parceira faz do homem. Eles acabam sendo vistos com um apelo sexual maior. Da mesma forma, as mulheres passam a ser vistas com mais carinho e necessitando de proteção, o que contribui para que o parceiro seja mais carinhoso que a média nas horas seguintes a uma sessão de um filme sangrento ou com cenas fortes e chocantes”, explica Weaver.

Matéria publicada no UOL em 16/04/2010: Leia no original

Para quem estiver interessado numa discussão mais séria sobre isso, vale dar uma olhada nestes dois textos:
(Linda Williams)
(Isabel Pinedo)

9 comentários:

  1. Teria algum sentido se a postagem começasse com "matéria publicada em 1940...", porque essa visão de mulher como ser frágil e homem como o machão protetor é coisa da era paleozóica. Lamentável...

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  2. pois é. e existe hoje em dia um certo uso "leigo" da psicologia evolucionista que me dá arrepios...

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  3. Anônimo17.4.10

    ah, eu achei engraçado! bjs, Lu

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  4. Sem dúvida, é engraçado.

    Fazia tempo q eu não lia um texto propondo uma visão tão atrasada e comum do comportamento heterossexual.

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  5. E tem mais: faz pelo menos 15 anos que quem "manda" no cinema de horror mundial são as mulheres, fenômeno que começou com BUFFY formando novas gerações de meninas aficionadas pelo gênero e se fortaleceu com a trilogia PÂNICO (cujo principal elo de ligação entre todos os filmes, incluindo o novo quarto episódio, são as duas mocinhas, Neve Campbell e Courteney Cox) e com os filmes EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM... e EU AINDA SEI O QUE VOCÊS FIZERAM..., todos com mulheres fortes como protagonistas. Desde então, quem comanda as filas de cinema em filmes de horror são as mulheres. Pense num filme de horror recente que tenha feito sucesso e verá que tem um nome feminino forte comandando a ação. Só alguém muito besta e atrasado não percebeu isso ainda.

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  6. Pois é! E seguindo em dicas bibliográficas, tem o clássico da Carol Clover, "Men, Women & Chainsaws", em que ela cunhou o terno "final girl" para identificar as quase sempre jovens mulheres que são as únicas sobreviventes dos slasher movies. Esse livro também está disponível, em parte, no Google Books.

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  7. A coisa que mais me fascina nesse meio são os estudos sobre o gênero, mas o que mais me irrita são essas filosofias baratas com essa psicologia generalizante.

    Esse livro parece bem interessante (você já havia comentado comigo sobre isso), mas se antes o clichê da mocinha sobrevivente ainda podia ser visto como algo estereotipado (geralmente era a mocinha virginal, comportada e socialmente consciente que sobrevivia), essa fragilidade foi deixada de lado e elas passaram a ser predominantes na ação, seja como vilãs ou como heroínas que descartam a proverbial proteção masculina de outrora.
    O CHAMADO, O GRITO, PULSE... podemos iniciar uma lista que não vai terminar tão cedo. Isso sem falar nos 'french extremities' dos últimos anos, filmes sobre mulheres, com mulheres e alguns feitos por mulheres.

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  8. Anônimo19.4.10

    caretice esse uol

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