quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Excitação



Texto do Inácio Araújo, hoje, na Folha de São Paulo:

"Excitação é alternativa para o telespectador se surpreender: Quem ficar acordado até tarde poderá se surpreender com "Excitação" (Canal Brasil, 0h30, 18 anos), de Jean Garrett.Neste último, temos a história de um engenheiro que compra uma casa de praia para o repouso psíquico da mulher. Problema um: ela começa a ter visões. Problema dois: ela descobre que ali um homem se enforcou e é um enforcado que ela vê. Existe algo de Shyamalan nisso tudo, primitivo, mas também com um sentido de atmosfera muito intenso -era o forte de Garrett."

De fato, este é um dos filmes brasileiros de horror mais interessantes dos anos 1970, EXCITAÇÃO foi dirigido por Jean Garrett, cineasta que realizou pelo menos três grandes flmes do gênero: AMADAS E VIOLENTADAS (1976), EXCITAÇÃO (1976) e A FORÇA DOS SENTIDOS (1979). Ainda voltarei a este filme, mas, por enquanto, seguem vários outros textos bem interessantes sobre ele.

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4 comentários:

  1. O único ponto fraco desse filme é a Kate Hansen, que não está à altura do que o papel exige. Garrett foi esperto demais em fazer Aldine Muller muda em A FORÇA DOS SENTIDOS e até que a Helena Ramos segura bem o difícil papel de MULHER, MULHER, mas Hansen às vezes parece não saber como parecer louca em EXCITAÇÃO. Apesar disso, é um grandíssimo filme.

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  2. nunca tinha pensado nisso, mas você tem toda a razão! quanto mais eu penso no Garrett, mais certa eu fico de que ele foi um dos melhores diretores de cinema de gênero no Brasil...

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  3. Laura, pode me internar se achar que estou exagerando, mas considero o Garrett um gênio no que ele se propunha a fazer, e não menos do que isso. Eu vejo o cinema como uma arte simbólica, acima de qualquer outra coisa, e vejo nos filmes do Garrett toda a força desses símbolos.

    Um dos que mais me fascina é como ele utiliza o cenário da praia como metáfora do desespero e da incerteza. Todos os personagens dele, quando estão em busca de alguma verdade, ou se deparam com um vazio existencial, aparecem na praia, fitando a vastidão do mar - ao mesmo tempo imenso e inatingível, talvez a maneira como esses personagens enxergam seu futuro.

    É assim com a personagem de Kate Hansen em EXCITAÇÃO: num momento de desespero, quando é assombrada dentro de casa, ela corre desesperada em direção ao mar, e não para algum lugar seguro ou uma casa vizinha, mas corre pela praia e cai à beira-mar. Helena Ramos também vai para a praia em MULHER, MULHER e Paulo Ramos, o protagonista de A FORÇA DOS SENTIDOS, também busca a razão de sua existência à beira-mar.

    Esse símbolo, na minha opinião, começa com a cena final de AMADAS E VIOLENTADAS, outro poderoso filme de Garrett, no qual a mocinha, depois de sofrer um grande trauma, senta-se na praia e fica olhando o mar em estado quase catatônico.

    Por essas e outras é que considero o Jean Garrett o "gêmeo" de Jean Rollin, outro que tinha obsessão em cenas na praia; praticamente todos os seus filmes terminavam na mesma praia, um lugar solitário, melancólico, deprimente. Sei que o Carlâo (Reichenbach), fotógrafo do Garrett, gosta muito dos filmes do Rollin, mas aí eu me pergunto: seria possível que, ainda nos anos 70, ele(s) tivesse(m) conhecimento da obra do colega francês??

    Como falei no início, sei que pode parecer um tanto exagerado o meu raciocínio, mas eu realmente acho o Garrett um gênio pouco (quase nada) celebrado.

    Aguardo ansioso o que você vai escrever sobre esse filme, Laura!!

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  4. uau, essa aproximação do Garrett e do Rollin é muito interessante! agora eu é que estou curiosa pra ler um texto seu sobre isso!!!! também acho que é o caso de perguntarmos ao Carlão!

    acho que os filmes do Garrett se ressentem, como todos os da Boca, da má atuação de vários atores (em particular os coadjuvantes, como uma vez observou o Castelini) e dos recursos muito parcos, o que fazia com que, muitas vezes, eles fossem obrigados a filmar apenas uma tomada de cada cena. nessas condições, não há a menor dúvida de que o Garrett era um gênio.

    pena que ninguém nunca conversou a sério sobre isso com ele. o cara morreu esquecido, assim como o Ody, o Darcy Silva, o Tony Vieira e tantos outros.

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