quinta-feira, 20 de maio de 2010

Zorga - O médico louco

ZORGA, O MÉDICO LOUCO, dirigido pelo carioca César Galvão, em 1963, é outro grande mistério da história do cinema de horror brasileiro, iniciado no mesmo ano de À MEIA NOITE LEVAREI SUA ALMA, mas (aparentemente) nunca finalizado.

Sua descoberta deve-se ao jornalista Rodrigo Pereira, que, pesquisando nos arquivos da Cinemateca Brasileira em abril de 2008, encontrou as seguintes informações sobre o longa-metragem, publicadas no jornal carioca A Notícia, em 07/10/1963.

"Primeiro filme nacional de terror será rodado no Rio! Começará a ser rodado na próxima semana o primeiro filme de terror brasileiro, cujo enredo macabro conta a história de um cientista que pensa ter descoberto um meio de dar vida à esposa morta e passa a caçar cobaias humanas em busca de sangue. As cenas principais de ZORGA, O MÉDICO LOUCO serão rodadas no Palácio do Cristal, em Petrópolis, velho castelo já abandonado, e na Guanabara. Centenas de figurantes e dez milhões de cruzeiros serão empregados pela “Ciclone Filme do Brasil” que parte para a sua segunda produção."

Segundo a mesma matéria, o filme tinha argumento de Abdon do Amaral, diálogos de Mário Galvão, roteiro ténico e direção de César Galvão, e participação de nomes conhecidos do meio artístico, entre eles, Mário Lago, Gessy Santos, Edu Jorge, William Duba, Daniel Taylor, Rodolfo Bergkirchner, Tenório Filho e Darci Magalhães.

O enredo do filme envolvia a história de um médico, Zorga, que, com o auxílio de seu fiel servo, Torto, procurava cobaias que pudessem, com o seu sangue, ressuscitar sua falecida esposa, Lenita. No final, como as suas experiências não davam certo, ele partia em busca de um processo ainda mais terrível: o do sacrifício de crianças.

Além da poucas reportagens publicadas na época (uma delas, do Jornal O DIA em 03/02/1963, dando conta de problemas relativos a vendas de cotas), nenhuma outra informação foi encontrada sobre ZORGA, nem sequer entre os filmes brasileiros inacabados listados por Silva Neto em seu Dicionário de Filmes Brasileiros – Longa-Metragem (2002).

Seus principais realizadores (Abdon do Amaral, Mário Galvão e César Galvão) e a Ciclone Filmes também não constam no Internet Movie Database ou em registros brasileiros, o que sugere tratar-se apenas um grupo de aventureiros.

Mas, por ter sido concebido na mesma época do primeiro filme de horror de Mojica, o filme ZORGA ganha importância histórica por confirmar o “espírito do tempo” naquele período, que inaugurou o cinema de horror ao Brasil e em vários outros países.

2 comentários:

  1. Anônimo19.10.12

    Segundo o Dicionário de Filmes Brasileiros, a tal Ciclone Filmes do Brasil realizou um filme no ano de 1973 chamado Ambição e ódio, dirigido pelo mesmo César Galvão, que deve ser o João César Galvão que dirigiu aquele filme do jornalista que se suicidou, Juventude sem amanhã. O nome do jornalista acho que é Elvenir. O mesmo César Galvão, segundo uma foto do acervo de Alex Viany, disposto na net, teria realizado, por uma outra empresa chamada Capital Filmes, um outro longa mais obscuro ainda chamado Audácia, mas que tinha no elenco o 'mezzo' famoso ator Milton Villar.

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