terça-feira, 22 de junho de 2010

Macumba Love

Em 1959, aportaria no Brasil MACUMBA LOVE (veja o trailer), rodado no litoral paulista em parceria com o que sobrara da Vera Cruz, e chamado por aqui de O MISTÉRIO DA ILHA DE VÊNUS. Dirigido pelo ator norte-americano Douglas Fowley e estrelado por Walter Reed, William Wellman Jr, June Wilkinson, trazia a brasileira Ruth de Souza no papel de uma Rainha Vudu.

O "prodígio" racista de Fowley conta as aventuras do escritor norte-americano Peter Weils (Reed), que passa as férias na fictícia ilha sul-americana de Vênus para escrever um livro sobre vudu. Sua companheira de diversão é Vênus de Viasa (Ziva Roddan), uma norte-americana criada na ilha que se diverte seduzindo os homens sob o pretexto de que a promiscuidade dos habitantes já estaria "colada à sua pele". Totalmente envolvidos com os mistérios da ilha, Peter e Viasa caem nas garras de Mama Rata Loi (Ruth de Souza) uma perigosa e assassina Rainha Vudu.

Pelo interesse sócio-cultural desta fita, tanto para a história do cinema de horror no Brasil quanto para o registro de um imaginário preconceituoso construído no cinema norte-americano a respeito dos países sul-americanos, cabe um rápido resumo da trama de MACUMBA LOVE.

Numa manhã à beira mar, Peter e Viasa encontram o cadáver de um homem negro com uma pequena faca enfiada no peito. Ao ver o objeto assassino, Peter rapidamente sentencia: “Vudu”, e diz que precisa combater primitiva e violenta religião local. Então, ele decide procurar a líder religiosa Mama Rata-Loi, mas é interrompido pela chegada de sua filha Sarah (June Wilkinson) e do genro Warren (William Wellman Jr) – que logo se torna alvo do assédio de Vênus de Viasa.

No dia seguinte, Peter chega à casa de Mama-Rata, uma tapera onde afro-descendentes entoam músicas “típicas”, e a ameaça, mostrando a adaga que encontrara no homem morto. Mama Rata não se faz de rogada. Além de não demonstrar qualquer medo do escritor, aproveita para ameaçá-lo também: pega a adaga e enfia no olho de um homem que está amarado dentro de sua casa, dizendo: “Se você não acredita, você morre”.

No mesmo dia, a paquera entre Viasa e Warren fica mais evidente, e a mulher se torna cada vez mais agressiva, chegando a oferecer jóias ao constrangido rapaz em troca de sexo. Mas Peter não parece preocupado com isso, pois continua obcecado pelas mortes mal-explicadas na ilha. Ele só irá prestar atenção novamente à amiga quando perceber que ela está muito próxima de Mama Rata – e, na verdade, sendo drogada pela líder religiosa.

Finalmente, o escritor descobre onde será o próximo ritual de sacrifício liderado por Mama Rata, e consegue levar a polícia ao local. No ritual, estão presentes todos os personagens “nativos” mostrados ao longo do filme – entre eles, Viasa, que está prestes a matar Warren sob o comando da Rainha-Vudu. A polícia atira, todos fogem, Mama Rata leva um tiro e entra em combustão espontânea. Viasa sai do transe, perguntando o que havia acontecido. O carro da polícia vai embora, e o filme se encerra com algumas imagens de caveiras penduradas em paus, na frente das quais ossos formam as palavras “The End”.

Sem dúvida, filmes como MACUMBA LOVE e (o já comentado por aqui) CURUÇU - O TERROR DO AMAZONAS revelam de um imaginário bastante negativo formado nos países do primeiro mundo acerca da vida sexual dos povos dos trópicos, das religiões indígenas e africanas, da natureza selvagem e de seus homens igualmente "selvagens", o que ainda se verifica em filmes como TURISTAS - GO HOME e similares.

Mas tais filmes não interessam apenas por isso. No caso de MACUMBA LOVE e CURUÇU, também é curioso observar que, mesmo não havendo, no Brasil da época, uma ficção de horror cinematográfica consolidada (o que acabaria acontecendo de maneira precária a partir dos anos 1960), nosso país já era alvo de um imaginário estrangeiro que, em algum momento, necessitaria de uma versão local.

Saiba mais sobre MACUMBA LOVE:
Ficha técnica completa da Cinemateca Brasileira do filme MACUMBA LOVE ou O MISTÉRIO DA ILHA DE VÊNUS (Douglas Fowley, 1960)

3 comentários:

  1. é? quem é ele? eu sempre incluo todos os links que encontro...

    ResponderExcluir
  2. É um cara que se convenceu que é engraçado, mas não se toca que não tem a mínima graça. Ganha uma grana lançando aquelas banalidades de "Guia dos Curiosos". Mais um daqueles que entende um pouco de tudo, e não entende nada.

    ResponderExcluir