sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O peixe assassino / Killer fish


Em tempos de PIRANHA 3D (aliás, que enganação o 3D desse filme, hein?), resolvi resgatar o breve texto que escrevi na tese sobre o filme KILLER FISH, feito no Brasil por produtores italianos e americanos, em 1978. Afinal, além de ser um filme sobre piranhas, ele é um dos mais citados no novo longa de Alexander Aja, que tem como maior barato (ou seria o único??) a quantidade de citações de outros filmes sobre ataque de animais aquáticos.

Mais ou menos na mesma época em que Adriano Stuart filmava os ataques de um terrível BACALHAU da guiné no litoral brasileiro, um grupo de produtores norte-americanos, italianos e brasileiros fazia mais um filme de monstro no Brasil, em Angra dos Reis. Trata-se de O PEIXE ASSASSINO (KILLER FISH) ou THE DEADLY TREASURE OF PIRANHA (1978).

Dirigido por Anthony Dawson (italiano, diretor de filmes de canibal e de giallos, mais conhecido como Antonio Margheriti), o filme trazia um elenco estrelado, com Lee Majors, Margo Hemingway e Karen Black, além dos brasileiros Antonio de Teffé (conhecido internacionalmente como Anthony Steffen) e Fábio Sabag, entre outros.

Aparentemente inspirado no sucesso hollywoodiano TUBARÃO e em filmes mais independentes, como PIRANHA (Joe Dante, 1976), O PEIXE ASSASSINO trazia, basicamente, uma história de aventura, mas os produtores se inspiraram, para divulgar o filme, nos sucessos hollywoodianos de horror, distribuindo cartazes bastante sugestivos a respeito do conteúdo violento e aterrorizante do filme.

Em O PEIXE ASSASSINO, um grupo de ladrões de jóias foge para o Brasil e esconde uma pequena mala repleta de esmeraldas e outras pedras no fundo de uma represa. Então, o dono da propriedade, que bancara o roubo comprometendo-se a dividir o resultado, enche a represa com terríveis piranhas, pretendendo eliminar um a um dos seus comparsas que lá tentam mergulhar.

Após um ritual de candomblé (aparentemente, um culto com oferendas à Iemanjá), as coisas começam a se complicar para todos os personagens. Primeiro, porque um furacão invade a região, destruindo casas e espalhando as piranhas para fora da represa. Segundo, porque os personagens acabam indo passear num barco furado, ficando à mercê das piranhas, em alto mar.

E é precisamente na seqüência passada em alto mar que o filme de aventura acaba se tornando horror escatológico: na morte interminável de um amigo dos quadrilheiros (um homossexual obeso bastante caricato, cujo corpo ao mesmo tempo descomunal e afeminado parece ter sido escolhido para aumentar o tom grotesco da cena), o banquete das piranhas é mostrado em riqueza de detalhes, desde as primeiras mordidas até a transformação do corpo em esqueleto, e numa cena gratuita, pois trata-se, visivelmente, de uma interrupção na trama feita para chocar os espectadores.

O que acaba sendo notável, em O PEIXE ASSASSINO, é o fato de que, mesmo em se tratando de um filme de aventura que prescindiria das piranhas e do candomblé, esses elementos aparecem justamente para “apimentar” a história e reforçar o imaginário de religiões e animais perigosos e mortais ligados ao Brasil, e já vistos em CURUÇU, MACUMBA LOVE e outros.

Leia mais:
Ficha técnica completa da Cinemateca Brasileira do filme KILLER FISH (Anthony Dawson, 1978)

7 comentários:

  1. Bons tempos aqueles em que ciclone no Brasil era apenas um furo de roteiro cometido por realizadores estrangeiros... hahahaha!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. olá! sou estudante de cinema da puc-rio e estou trabalhando com cinema de horror. procuro uma forma de contato. não achei seu email no blog, por isso postei aqui na tentativa de uma aproximação.
    meus emails são
    mariana.mrsa@yahoo.com.br
    mariananopaisdasmaravilhas@gmail.com

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  4. Incrível o elenco. Além dos citados ainda tem a Marisa Berenson, que tinha recém-feito "Barry Lyndon" (meu Kubrick favorito). Mas fiquei na dúvida: "Piranha 3D" também cita "Bacalhau"? :)

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  5. Felipe, valeu pelo comentário e por ter feito a cópia do filme pra mim! hehe. Você notou como o Piranha novo tem coisas desse filme?

    Rodrigo, duvido que o Aja tenha visto o Bacalhau, mas o filme dele tem varias cenas dignas de um Adriano Stuart, você não acha?

    Mariana, vou escrever pra você.

    Abs!

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  6. Anônimo11.8.11

    Moro em Brasília,assisti "O Peixe Assassino" no Cinema daqui de onde moro que era o Cine Cruzeiro, gostei muito, tenho o vhs deste filme.

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  7. Anônimo21.11.11

    vc ai q mora aqui em brasilia,preciso de uma copia desse filme, hermesdbest@hotmail.com espero contato

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