terça-feira, 5 de julho de 2011

Pseudocobertura do Fantaspoa 2011 - Parte 1

Em Porto Alegre desde sábado, estou acompanhando a sétima edição do Fantaspoa - Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.

Nesses quatro primeiros dias, tivemos a estreia de quatro longas-metragens e vários curtas nacionais de gênero fantástico e ação. Sobre eles, quero falar em conjunto, pois os textos sobre cada um dos filmes estarão em breve na cobertura do Cinequanon.

Começando pelos curtas-metragens live-action e de animação nacionais, então.

O mais esperado foi, claro, NINJAS (2010), do Dennison Ramalho, que já tinha sido exibido na sessão Dark Side da 21ª Mostra Internacional de Curtas de São Paulo ,no ano passado, e também no Festival de Gramado de 2010. Este é certamente um dos melhores curtas do gênero já feitos no Brasil. A reação de assombro do público no Fantaspoa não deixou margem para dúvida sobre isso.

Mas outros dois curtas trouxeram experiências muito boas em gêneros diferentes. Uma delas foi O OGRO, animação de Márcio Filho e Márcia Deretti, baseada nos quadrinhos de Julio Shimamoto e Antonio Rodrigues. Esse belo curta retoma a obra de um dos mais criativos desenhistas brasileiros de quadrinhos, e aponta para a qualidade de nossa animação e para um possível projeto de série. Já DUAS VIDAS PARA ANTONIO ESPINOSA, de Caio D'Andrea e Rodrigo Fonseca, é um exercício de estilo que nos traz um faroeste fantástico com ótimo elenco e uma estrela dos faroestes nacionais dos anos 1970: o veterano ator da Boca do Lixo, Índio Lopes.
Nos dois casos acima, temos gerações mais novas fazendo o trabalho de "ressignifcar" a obra de grandes artistas nacionais, o que é sempre sinal de vitalidade para o cinema.

Dos longas, três filmes recentes dominaram as primeiras noites do festival: o longa de horror mais esperado do ano, A NOITE DO CHUPACABRAS, de Rodrigo Aragão (diretor de Mangue Negro); PÓLVORA NEGRA, o primeiro longa de Kapel Furman, conhecido como diretor de curtas-metragens e como um dos mais competentes técnicos de efeitos do cinema nacional; e ENTREI EM PÂNICO AO SABER O QUE VOCÊS FIZERAM NA SEXTA-FEIRA 13 DO VERÃO PASSADO - PARTE 2, de Felipe Guerra, que mantém a presença no cinema trash brasileiro no Fantaspoa.

Nos três filmes, apesar dos gêneros e orçamentos bem diferentes, pode-se notar algumas semelhanças, como a atuação de diretores também como produtores e roteiristas, o que dá a eles um poder "autoral" nada desprezível; a atração de todos eles por histórias com um número enorme de personagens; os diálogos bem escritos; a dedicação a criar bons coadjuvantes; elencos com excelente qualidade (mesmo que em alguns casos formados por atores iniciantes ou não profissionais); muitas cenas de ação e...

ATENÇÃO - SPOILERS

um gosto especial por matar quase todos os personagens sem dó nem piedade.

Por fim, uma grata surpresa: a exibição em 35mm de um filme fantástico brasileiro que estava na gaveta desde 1992. Trata-se de MANÔUSHE, uma fantasia dirigida por Luiz Begazzo que mistura AMOR BRUXO (1986) de Carlos Saura a filmes como A LENDA (1985) e LABIRINTO (1986), numa produção bastante pobre em termos orçamentários, mas rica em ousadia e criatividade, ainda mais considerando-se a época em que o filme foi feito (1989/90), que nos traz a lembrança da era Collor e do fim da Embrafilme.

O mais legal foi ver que a maioria do público comprou a idéia e se divertiu com o filme, inclusive apontando referências do calibre de Fellini e Jodorowski - o que me parece um exagero, mas tudo bem. Pena que o diretor teve um imprevisto e não pode comparecer, pois certamente teria encontrado uma plateia interessadíssima e cheia de perguntas.

Bom, por enquanto é isso. Acompanhem a cobertura mais detalhada no Cinequanon, logo mais.

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