sexta-feira, 30 de maio de 2014

Gata Velha Ainda Mia

O chamado "hag horror film", ou filme de bruxa (termo aqui entendido como adjetivo, e não substantivo), foi moda em Hollywood nos anos 1960, quando divas do período clássico já envelhecidas, como Bette Davis, Joan Crawford e Olivia de Havilland estrelaram filmes como "O que terá acontecido a Baby Jane" (Robert Aldrich, 1962) e "A dama enjaulada" (Walter Grauman, 1966).

Nessas produções, as atrizes encontravam trabalhos remotamente inspirados em dramas dos 1950 que tinham por referência filmes como "Crepúsculo dos Deuses" (Billy Wilder, 1950), no qual a estrela decadente Gloria Swanson, do alto de seus 51 anos, brilhava no papel da louca inesquecível Norma Desmond.

Em 2009, Peter Shelley, no livro "Grande Dame Guignol", compilou dezenas desses títulos realizados desde os anos 1960, começando por "Baby Jane" e chegando até filmes como "Louca Obsessão" (Rob Reiner, 1990) e "Mamãe é de morte" (John Waters, 1996). Por meio dessas obras, o autor propôs uma reflexão sobre o horror feminino no cinema, desde as vamps dos anos 1920 até as mulheres frustradas e velhas que dispensam suas últimas energias ao objetivo nada nobre de atormentar alguém - de preferência, outra mulher.

As questões referentes à clasisficação de gênero cinematográfico são obviamente problemáticas no caso do hag horror, mas ainda assim interesantes, e isso fica claro no longa de estreia de Rafael Primot, "Gata velha ainda mia" (2013), estrelado pela diva nacional Regina Duarte, hoje com 67 anos. Nessa produção pequena apoiada pelo Canal Brasil (custou cerca de 150 mil reais), o horror se anuncia, mas não é levado às últimas consequências.

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